Veja. Eu voltei. E, bem… depois de tentarem tirar-me meus poderes, agora me tiraram os episódios. Logo agora que eu ia aparecer mais do que a cheerleader e o patético samuraizinho juntos. Alguns chamariam isso de complô. Eu chamarei isso de greve.
Perceba como são patéticos esses seres insignificantes. Não conseguem vencer-me em uma batalha justa, de poderes contra poderes. E o que fazem? Me roubam a capacidade de agir. De duas formas covardes e injustas. Mas ainda assim sou EU o tachado de vilão.
Não vou me vingar dessas criaturas desprezíveis. Não, não. Vingança é um sentimento, e, veja, hehe, não sinto nada por essa gentinha. É claro que me emputece saber que estou sendo privado de meus direitos justos, adquiridos e legitimamente conquistados. Friso. Legitimamente conquistados. Só quero aquilo que é meu por direito.
Se resolveram armar esses esquemas para me impedir, quero deixar claro que essa greve de fome forçada tem um preço. Quando eu voltar, voltarei faminto. Assim como um urso depois de hibernar por um longo inverno.
Mas, me diga você, depois de ser perseguido, prisioneiro, sofrer tentativa de assassinato, ser caçado por todos que se uniram contra mim, e que cada um deles assumiu que era “o único que poderia me parar”, depois de ser atravessado por uma espada, ser deixado na ilha de Lost, ser injetado com um vírus mortal, ter meus poderes anulados, ser eletrocutado, deixado sozinho em um beco fétido, e, como se não bastasse, ainda interrompem a temporada no meio e entram em greve sem previsão de volta… enfim, me digam, quem é a vítima e quem é o vilão?
Poético, não?
Eu subestimei vocês. Acho fascinante esse interesse por mim. Eu sou especial. E aprecio esse reconhecimento. Vocês estão interessados na minha vida. E por isso vou mostrar-lhes algo. Vou saciar essa fome que têm de saber como eu fugi da ilha de Lost. O que poderia ser mais patético do que estar preso em um lugar desconhecido? Estar lá sem poderes. Primeiro devo admitir que foi decepcionante perder uma habilidade como aquela. Mas não adianta chorar o sangue derramado. Eu precisava sair da ilha.

Percebi então que a gasolina disponível era pouca. A estrada mais próxima ainda estava longe. Foi quando encontrei um rádio-transmissor que me permitiu ouvir as chamadas da polícia. Descobri que um Rogue havia sido roubado de uma delegacia. E que os ladrões se dirigiram para a estrada próxima à cabana.
